DICA DE LEITURA: “QUALQUER COINCIDÊNCIA É MERA BONANÇA OU LAMBANÇA”, DE ANDERSON OLIVIERI

Facebook0
Twitter200
Instagram0
WhatsApp
FbMessenger

Loading

A dica de hoje do jornalista Anderson Olivieri – responsável pela comunicação do Cartório de Sobradinho – é a crônica “Qualquer coincidência é mera bonança ou lambança”, de autoria dele próprio.

Conta Ruy Castro que procurava, sem sucesso, havia muito tempo, algum descendente do desenhista J. Carlos a que pudesse pedir autorização para utilizar ilustração do artista na capa do livro “Metrópole à beira-mar”. Certo dia, após caminhada no Leblon, encostaram, ele e a mulher, Heloísa Seixas, num quiosque na praia, onde beberam água de coco e delongaram-se no papo. Ao notar isto, Ruy quis saber as horas, virando-se ao mais próximo rapaz de relógio no pulso. O homem pediu licença para dizer mais que as horas. Queria também apresentar-se a Ruy: era, além de fã do escritor, neto de J. Carlos, o artista tantas vezes citado pelo colunista da Folha.

Ruy Castro quase caiu da cadeira. Entre milhões de cariocas, entre milhares de passantes da calçada do Leblon, ele perguntara as horas a um herdeiro do ilustrador que era – há tanto tempo – alvo de sua busca obsessiva e, até então, fracassada. Pois bem, o livro saiu e lá está, na capa, “As melindrosas”, de J. Carlos.

Ao ouvir Ruy contar esta história, lembrei-me do oposto: do dia em que a rara coincidência foi minha inimiga. Este embaraço eu passei em Milão. Fui à cidade entrevistar Franco Baresi, o líbero italiano considerado um dos maiores nomes da posição na história do futebol. “Desista. Franco dificilmente fala com a imprensa”, foi o que ouvi, ainda no Brasil, ao fazer o primeiro contato para tentar falar com a lenda. Não dei ouvidos ao colega italiano, jornalista esportivo importante do país. Tentei.

Pois às 10h30 de 1º de junho de 2017, eu desembarcava na Estação Central de Milão para mudar de linha e pegar o metrô para a Casa Milan – sede administrativa do clube rossonero. Perdido na imensa estação – e talvez com cara de suspeito -, fui notado por agentes de segurança que não vacilam – ou tentam não vacilar – num continente de joelhos para o terrorismo.

O policial que se aproximou quis saber o que eu fazia ali. Tentei contar que parei na estação para fazer a transição de linha e que o meu destino era a Casa Milan. Pediram para olhar a minha mochila, o que, por não me faltar juízo, autorizei. “Qual o motivo da ida à Casa Milan?”, seguiu o interrogatório.

Apontando para o alto, expliquei, num parco (ou porco) italiano, que iria lá entrevistar o homem de cima que nos olha. Não era referência a Deus nem ao céu, mas à publicidade solitária e imponente que reluzia na estação, com Baresi estampado. “Franco não fala. Como é possível?”, questionou o agente, provavelmente um rossonero antenado às coisas do Milan.

Eu só pensava em por que diabos dissera que ia entrevistar o Baresi. Já me imaginei sendo levado a uma salinha para explicações mais fundamentadas. Bem, não sei o que me livrou daquela situação – talvez a camisa do Milan com o número e o nome de Baresi que levava na mochila para autógrafo da lenda -, mas, apesar do susto, saí da Estação e, a tempo, cheguei à Casa Milan.

A verdade é que a vida é salpicada de coincidências que às vezes vêm de relógio no pulso, às vezes, de arma na cintura.

Visite-nos pelo https://linktr.ee/cartoriodesobradinho

(Siga o Cartório de Sobradinho no Instagram)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine e fique por
dentro de nossas
últimas notícias!

Balcão Virtual Extrajudicial!

Certificado
E-notariado

Veja Mais

DICA DE LEITURA: “AMIGO DE VERÃO”, DE ANDERSON OLIVIERI

Loading

A dica de hoje do jornalista Anderson Olivieri – responsável pela comunicação do Cartório de Sobradinho – é a crônica “Amigo de verão”, de sua autoria: “Certas lembranças vêm como o ladrão – sorrateiras, desarrazoadas. Hoje, caminhando, notei como está alta a grama do parque do meu bairro. Logo em

Dez anos da união homoafetiva reconhecida: tributo a Ayres Britto

Loading

No ano de 2011, o Supremo Tribunal Federal, por meio da análise da ADI nº 4277 e da ADPF nº 132, de relatoria do ministro Carlos Ayres Britto, reconheceu a união homoafetiva como entidade familiar, sendo vedada qualquer discriminação nesse sentido. Nesse sentido, o ministro Carlos Ayres Britto ressaltou em

Olá visitante!

Institucional

Telefone: (61) 3298-3300

Endereço: Quadra Central Bl. 07 Loja 05

Receba nosso boletim semanal exclusivo com notícias de direito notarial e registral

Fique por dentro de todas as nossas novidades e serviços

 

Conheça também nossa página de Serviços e nosso Blog 

Também não gostamos de Spam, manteremos seus dados protegidos, Veja nossa política de privacidade