DICA DE LEITURA: “ESTOU COM SAUDADES DE UM CALOR DO CÃO”, DE LIRA NETO

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A dica de hoje do jornalista Anderson Olivieri – responsável pela comunicação do Cartório de Sobradinho – é a crônica “Estou com saudades de um calor do cão”, de autoria do jornalista Lira Neto:

Sempre afirmei detestar o calor. Dizia adorar o frio, a sensação de sair à rua como se um imenso aparelho de ar-condicionado estivesse ligado lá fora, à toda potência. Abominava a quentura, o mormaço, o bafo quente dos dias de sol intenso. Pois sim. Mudei de ideia. Radicalmente.

Ao enfrentar mais um inverno europeu – o meu quinto consecutivo por aqui e, de acordo com os meteorologistas, o mais gélido dos últimos 100 anos –, morro de inveja de vocês aí no Brasil, que andam se queixando da canícula do verão tropical.

Aqui, em Portugal, um dos países de maior pobreza energética do continente, a situação é crítica. As casas e apartamentos não estão preparadas para o frio – e nem para o calor, ressalte-se. Congela-se no inverno; sufoca-se no verão. Com a crise climática, isso só tem piorado, é evidente.

Por vezes, nos meses de frio, sofre-se mais dentro do que fora de casa. Além do desconforto térmico, a umidade toma conta dos lares. Manchas de bolor se insinuam pelas paredes, o mofo prolifera no teto, os fungos não pedem licença para se instalar, feiosos e ameaçadores às vias respiratórias, nas varandas, áreas de serviço, revestimentos externos.

Aquela belíssima expressão que usamos no nosso ressequido Ceará, para definir os dias nublados e prometedores de aguaceiros benfazejos – tempo “bonito de chuva” –, não faz o menor sentido por cá.

No norte de Portugal, onde moro há quatro anos e os dilúvios são corriqueiros, a chuvarada é um estorvo sem fim.

São chuvas com vento inclemente, daqueles de enregelar cada centímetro do corpo, rachar lábios, despedaçar guarda-chuvas, derrubar galhos de árvores. Quando cheguei, cearense destreinado em terras ibéricas, olhava para o céu cor de chumbo e, matuto assumido, sobrevinha-me uma atávica sensação de conforto. Qual o quê…

Mesmo em dias de céu azul e limpo, como os que têm feito na última semana, o alívio é ilusório. Com alguma sorte, as temperaturas máximas ficam pouco acima dos 10 graus – e o alerta amarelo das autoridades continua ativo. Os jornais já avisam que, ainda nesta semana, as mínimas glaciais vão voltar, em algumas regiões do país atingindo níveis abaixo de zero.

Não à toa, escrevo esta crônica de gorro, casaco e cachecol, a caneca de chá quente ao lado, bem ao alcance da mão. Ainda assim, tremo de frio. Tirei as luvas grossas de lã apenas porque elas são incompatíveis com o teclado do computador.

Não vejo a hora de retornar ao Brasil, pegar o final do verão, colocar uma bermuda e me juntar ao coro dos muitos amigos daí que andam praguejando contra o tempo escaldante. Então talvez até sinta falta desse frio de doer os ossos, da chuva que alaga tudo, do nevoeiro que muitas vezes quase me fez bater o carro por não discernir um mísero palmo à frente do para-brisas.

Mas, por enquanto, o que mais quero mesmo são dias quentes, tardes tórridas, noites abafadas – um calor do cão.

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