DICA DE LEITURA: “A BRUXA DO POETA”, DE OTTO LARA RESENDE

Facebook0
Twitter200
Instagram0
WhatsApp
FbMessenger

Loading

A dica de hoje do jornalista Anderson Olivieri – responsável pela comunicação do Cartório de Sobradinho – é a crônica “A bruxa do poeta”, de Otto Lara Resende:

Eu não tenho o direito de enjoar a bordo do Brasil. Não sou passageiro de primeira viagem. Foi o que disse, quando ontem me perguntaram se não estou em pânico. Depois mudei um pouco o sentido de “enjoar”. A esta altura da vida, já vi tantas vezes esse filme que até tenho o direito ao enjoo. Enjoo no sentido daquele acesso de tédio que acometia o Afonso Arinos, em momentos de crise nacional aguda.

Mesmo investido de mandato popular, deputado ou senador, o Afonso tinha que lutar contra o sono. Mas não conseguia segurar o bocejo. Digamos que vai nisto um pouco de piada. Mas que dá um tédio medonho, ah isto dá. Você agora vê, por exemplo, esse corre-corre por causa do ouro e do dólar. Até onde o povo, o povão anônimo, tem a ver com isto? Acaba chegando lá, claro, no casebre do pobre. Ou pior: já chegou, com a perda salarial e o mais.

O pânico é um medo irracional, sem razão. Contagioso, se espalha como se alastra o fogo. Basta um boato e está aceso o rastilho de pólvora. Ninguém sabe por que, nem como é que começou. Se alguém grita calma, calma!, aí é que o susto se amplia e provoca o estouro da boiada. Ontem, foi o dia das bruxas. O Halloween teve origem na Irlanda. Na última noite do verão, no hemisfério norte, 31 de outubro, os mortos andam soltos e agarram o primeiro que bobear. É uma antiga superstição.

Séculos depois, na era da conquista do espaço, corre o boato em Nova York de que haverá um massacre. Se deu no The New York Times, e deu, aí então é que a doideira anda solta. E com ela as bruxas. Há um código de comunicação curioso em certas situações. Quando você ouve um amigo lhe dizer vou lhe falar francamente, está claro que lá vem pedrada. Agrado é que não é. Na hora do alarme, se um cara lhe diz calma, você sai correndo.

Ainda bem que aqui temos o Marcílio [Marques Moreira, ministro da Fazenda do governo Collor]. Todo mundo afobado e ele impassível garante que a turbulência é só até março do ano que vem. Podemos continuar até lá dançando ao som da orquestra do Titanic.

Mas ontem, para mim, foi o aniversário do Carlos Drummond de Andrade. Saudade do Carlos. Nasceu no dia das bruxas, em 1902. 40 anos depois escreveu o poema “A Bruxa”. Bruxa era a mariposa, que lhe fez companhia numa noite de solidão. “Certo não é vida humana, mas é vida” ― diz o poeta. Que mané pânico coisa nenhuma. Vamos ler os poetas e esperar. O Brasil não vai acabar.

Visite-nos pelo https://linktr.ee/cartoriodesobradinho

(Siga o Cartório de Sobradinho no Instagram)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine e fique por
dentro de nossas
últimas notícias!

Balcão Virtual Extrajudicial!

Certificado
E-notariado

Veja Mais

Olá visitante!

Institucional

Telefone: (61) 3298-3300

Endereço: Quadra Central Bl. 07 Loja 05

Receba nosso boletim semanal exclusivo com notícias de direito notarial e registral

Fique por dentro de todas as nossas novidades e serviços

 

Conheça também nossa página de Serviços e nosso Blog 

Também não gostamos de Spam, manteremos seus dados protegidos, Veja nossa política de privacidade