DICA DE LEITURA: “SALVO DO HOLOCAUSTO POR UMA FRASE”, DE ANDERSON OLIVIERI

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A dica de hoje do jornalista Anderson Olivieri – responsável pela comunicação do Cartório de Sobradinho – é a crônica “Salvo do Holocausto por uma frase”, de sua autoria:

Ouvi no rádio que, do pôr do sol de ontem até o início da noite de hoje, dia 8 de abril, acontece o Yom HaShoá, “Dia da Lembrança do Holocausto”. Esta data, que estabelece feriado nacional em Israel, rememora os seis milhões de judeus mortos pelos nazistas na Segunda Guerra.

A chegada da data coincide com a leitura que faço do livro “Uma viagem pela vida”, de André Jordan, o jornalista e empresário portador de três passaportes: polonês, brasileiro e português. Ele costuma definir assim suas múltiplas pátrias: “A Polônia é a minha terra; o Brasil, a minha pátria; e Portugal, a minha casa”.

Além disso tudo, Jordan é judeu. E por esse motivo deixou a Galícia polonesa no dia exato em que o exército nazista alemão invadiu a Polônia – 1º de setembro de 1939. O pai dele, Henryk Alfred Spitzman, homem muito rico, vivia de petróleo. Nas propriedades da família no Leste da Polônia, o ouro negro jorrava em abundância.

André, nascido em 1933, ainda se lembra dos aviões alemães em voos rasantes sobre Lwón. Ele e o primo Arnold faziam daquilo uma brincadeira, apontando armas imaginárias na direção daquelas barulhentas máquinas de guerra. Poucos dias antes da invasão, a mãe de Jordan conversou com um homem que lhe contou algo determinante: “Vim agora da fronteira alemã. Os tanques estão em massa do outro lado. Vão entrar”.

Faustyna só disse duas palavras ao marido: “Vamos embora”. Parentes acharam o êxodo exagerado. Criam que a guerra só duraria poucas semanas porque logo os ingleses colocariam os alemães para correr. A mãe de André não deu ouvidos. Pegou a família e, com a roupa das malas e mais nada, partiu no dia seguinte, querendo alcançar Bucareste.

De toda a fortuna, Henryk carregou para o exílio apenas o belo Packard, dirigido pelo seu motorista, e um segundo automóvel – uma comitiva suficiente para transportar a família, dois primos de André e um casal de amigos. Saíram cedo e só chegaram à fronteira com a noite alta.

Mas só chegaram porque o motorista teve, no meio do caminho, um gesto providencial que salvou a viagem de fuga. Àquela altura, já a par da iminente invasão alemã, o exército polonês passou a confiscar carros civis para a resistência aos invasores. A família Spitzman foi parada num ponto da Polônia. No instante em que o soldado pediria os documentos, o motorista virou-se para o banco traseiro e disse a Henryk:

Meu coronel, este soldado quer ver os seus documentos”.

O soldado recuou, bateu continências ao “coronel” e desejou-lhes boa viagem. A família nunca duvidou de que aquele lampejo do motorista os salvou de ficar a pé no meio da Polônia e, portanto, mais dia, menos dia, de ser capturados pelos nazistas.

Depois de cruzar a Polônia, passaram por Romênia, Itália, Portugal e, finalmente, Brasil, onde refizeram fortuna, reconquistaram influência social, desbravaram novos ramos comerciais. Só não é possível cravar que foram plenamente felizes.

Afinal, não demoraria muito e chegaria, da guerra, a notícia de que toda a família direta deles na Polônia, além de 40 parentes e inúmeros amigos, foram eliminados no Holocausto.


Para estes, frente aos malignos nazistas, não houve chance de uma frase salvadora nem de um anúncio de patente militar, ainda que falsa, garantidora da dignidade e da vida. Que o mundo ouça hoje, amanhã e sempre: HOLOCAUSTO NUNCA MAIS.

Para acompanhar outras crônicas deste autor, visite o site www.apalavrado.com.br.

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